25 Anos sem Tião Carreiro

Na última segunda, 15 de outubro, completaram 25 anos de saudades do grande "Tião Carreiro", um dos artistas mais admirados e imitados da música sertaneja.

José Dias Nunes, o nosso "Tião Carreiro", foi sem sombra de dúvidas um artista totalmente a frente de seu tempo, inovador, perspicaz e com uma sensibilidade ímpar, o que contrastava com seu bigode, bem aparado, chapéu quebrado na testa e um semblante de homem "bravo".

Ao longo de sua carreira musical, "Tião Carreiro" teve vários parceiros, o mais lembrado é Antônio Henrique de Lima, o "Pardinho", morto em 02 de junho de 2001.

Tião Carreiro e Pardinho escreveram o nome na história da música sertaneja pelo casamento musical e sincronia nas vozes e também ficaram conhecidos pelas histórias, onde um não conversava com o outro, que não trocavam nem mesmo olhares. Talvez fosse essa a fórmula do sucesso de Tião Carreiro e Pardinho?

O folclore em cima dos dois é grande tal qual a obra dos dois juntos.

Com todas essas histórias, penso que o grande parceiro musical de Tião Carreiro, definitivamente foi uma parceira... a sua inseparável viola caipira.

Com ela "Tião Carreiro" ganhou o respeito e admiração de toda uma geração e como a música é atemporal, "Tião" continua ganhando fãs e admiradores por todo o Brasil e o mundo.

Suas canções são regravadas e cantadas por diversos artistas, tanto famosos, quanto anônimos. O seu jeito de tocar é imitado por 10 entre 10 violeiros; o que lhe garante a eternidade no trono de "Rei do Pagode" e como dizia a música "A viola e o Violeiro" uma composição do próprio Tião Carreiro ao lado de seu inesquecível parceiro de composição "Lourival dos Santos" e gravada pela primeira vez no LP "Meu Carro é Minha Viola" no ano de 1962 - "Morre o Homem e fica a fama e minha fama dá trabalho".

Confira a letra de "A Viola e Violeiro":

Tem gente que não gosta da classe de violeiro

No braço desta viola defendo meus companheiros

Pra destruir nossa classe tem que me matar primeiro

Mesmo assim depois de morto ainda eu atrapalho

Morre um homem, fica a fama e minha fama dá trabalho.

Todos que nascem no mundo tem seu destino traçado

Uns nascem pra ser engenheiros, outros pra ser advogados

Eu nasci pra ser violeiro, me sinto bastante honrado

De tanto pontear viola meus dedo estão calejados

Sou um violeiro que canta para vinte e dois estados.

Viva o povo mineiro, cantador de recortado

Também viva os gaúchos que no xote é respeitado

Viva os violeiros do Norte que só canta improvisado

Goiano e Paranaense cantam tudo bem cantado

Viva o chão de Mato Grosso que é o berço do rasqueado.

 

Representando São Paulo este pagode é o recado

A música dos estrangeiros quer invadir nosso mercado

Vamos fazer uma guerra, cada violeiro é um soldado

Nossa viola é a carabina e nosso peito é um trem blindado

A viola e o violeiro é que não pode ser derrotado.

 

Obrigado "Tião Carreiro" pela sua arte.